O Facebook nĂŁo Ă© exatamente uma rede social que se gaba por sua alta privacidade.
Muitas teorias da conspiração que podem ser encontradas na internet dizem respeito ao Facebook. As mais famosas falam sobre a rede social escutar constantemente o que falamos para que anĂșncios sejam segmentados. HĂĄ alguns relatos que garantem que isso, de fato acontece, alĂ©m de vĂĄrios vĂdeos no Youtube de pessoas que dizem que estamos sendo vigiados a todo o momento.
Muitos usuĂĄrios desconfiam de sua segurança desde 2017, quando o escĂąndalo Cambridge Analytica veio a pĂșblico. O prĂłprio Mark Zuckerberg jĂĄ admitiu, durante a conferĂȘncia de desenvolvedores do Facebook, que eles nĂŁo tinham âa mais forte reputação de privacidade.â
A rede social nega que ouve conversas para segmentar anĂșncios. Zuckerberg chegou a dizer diante do Congresso americano que a empresa nĂŁo se dedica Ă prĂĄtica. Especialistas e analistas dizem que o Facebook nĂŁo precisa de nossas conversas para direcionar anĂșncios de forma eficaz. No entanto, a teoria da conspiração persiste, com pessoas compartilhando suas experiĂȘncias.
Como Ă© o caso de Carl Mazur, um fotĂłgrafo de Utah, que se assustou apĂłs ver um anĂșncio de lentes de cĂąmera da marca Rokinon aparecendo em seu perfil. Isso porque 20 minutos antes, o quiroprata de Mazur mencionou a marca durante uma sessĂŁo.
Ele sempre ouviu histĂłrias sobre a rede social escutando conversas por meio dos microfones dos smartphone, mas nunca deu muita importĂąncia para o assunto. O anĂșncio do equipamento fotogrĂĄfico fez com ele reconsiderasse. âFoi aĂ que eu comecei a acreditarâ, disse Mazur, acrescentando que nunca havia pesquisado ou comprado lentes Ronikon antes. âPensei em como isso era estranho.â
Mazur ainda disse que depende do Facebook e de outras redes sociais para promover seu trabalho. Depois que o anĂșncio da lente da cĂąmera apareceu, ele começou a ver a rede social de Mark Zuckerberg mais como um negĂłcio, do que um local para encontrar os amigos.
Algumas alternativas
Mesmo com todos os relatos, isso parece nĂŁo atingir a reputação da rede social, que hoje conta mais de 2,38 bilhĂ”es de pessoas conectadas todos os meses. Analistas dizem que, pouco a pouco, os rumores de conspiração e espionagem podem mudar a maneira como usamos a plataforma. Se estivermos preocupados com o fato do Facebook estar ouvindo nossas conversas, podemos parar de compartilhar alguns de nossas dados pessoais, desta forma, ele nĂŁo conseguirĂĄ segmentar anĂșncios com tanta precisĂŁo.
âSe mais usuĂĄrios começarem a sentir que estĂŁo sendo vigiados por meio de ĂĄudio, eles mudarĂŁo seus comportamentosâ, disse Jennifer Grygiel, professora assistente de comunicação da Universidade de Syracuse. âPortanto, mesmo que seja falso, isso pode afetar a maneira como eles usam aplicativos e seus smartphones e como esses usuĂĄrios garantem sua prĂłpria privacidade.â
Os usuĂĄrios, por exemplo, podem desligar seus telefones se estiverem em um evento, em uma conversa particular ou em uma sessĂŁo de terapia, sugeriu Grygiel. Eles tambĂ©m podem ser mais cautelosos e compartilhar menos informaçÔes ou desativar sua localização, o que privaria o Facebook de oportunidades de aprender mais sobre vocĂȘ. Eles tambĂ©m poderiam ativar bloqueadores de anĂșncios, o que afetaria a receita da plataforma.
O Facebook nĂŁo Ă© o Ășnico
No inĂcio deste mĂȘs, descobriu-se que a Amazon mantinha versĂ”es em texto de conversas que os usuĂĄrios tinham com seus dispositivos Echo, mesmo depois que as gravaçÔes foram excluĂdas.
O pĂșblico jĂĄ estĂĄ desconfortĂĄvel com o modo como o Facebook e outros gigantes de tecnologia os acompanha pela internet. Aproximadamente 68% dos consumidores dizem que rastrear o que se faz na internet para segmentar anĂșncios Ă© antiĂ©tico, de acordo com uma pesquisa encomendada pela empresa de segurança cibernĂ©tica RSA no inĂcio deste ano.
Ainda assim, o Facebook continua a alimentar preocupaçÔes entre alguns usuĂĄrios de que a rede social poderia estar ouvindo-os como um Big Brother da vida real. âA imagem de privacidade do Facebook coloca esse vĂ©u de preocupação, que serĂĄ difĂcil de retirarâ, disse Tim Bajarin, presidente da empresa Creative Strategies. âEles vĂŁo ter de fazer muito para provar que estĂŁo protegendo a privacidade das pessoasâ.
O que o Facebook diz sobre isso
Parte do problema, dizem os especialistas, Ă© que os consumidores nĂŁo entendem completamente como seus dados estĂŁo sendo usados pela empresa para exibir anĂșncios. Cerca de 74% dos adultos dos EUA que usam o Facebook nĂŁo sabiam que a rede social mantĂ©m uma lista de seus interesses e caracterĂsticas para a segmentação de anĂșncios.
Um porta-voz da rede social disse que eles estĂŁo trabalhando para fornecer Ă s pessoas informaçÔes mais precisas sobre o motivo pelo qual estĂŁo vendo um anĂșncio, alĂ©m de lançar ferramentas que prometem transparĂȘncia para os usuĂĄrios. O Facebook possui uma ferramenta que pode ser utilizada para o usuĂĄrio saber o motivo de estar vendo aquele anĂșncio. Mesmo assim, algumas informaçÔes estĂŁo incompletas.
O Facebook ainda divulgou recentemente que estĂĄ trabalhando em diversas melhorias na rede social, incluindo aperfeiçoamento de seus recursos de segurança. Segundo pesquisa do Datafolha, no Brasil a rede social estĂĄ perdendo usuĂĄrios, sendo que a queda foi diretamente atribuĂda aos escĂąndalos de privacidade em que a plataforma esteve envolvida. SerĂĄ que eles vĂŁo conseguir diminuir a desconfiança dos usuĂĄrios? DifĂcil saber.

